Archive for Janeiro, 2008

Aprenda com os lobos

Terça-feira, Janeiro 15th, 2008

O que pode acontecer quando “força” não é acompanhada de “caráter”?

Quando a gente se coloca na posição de “recepção”, como uma antena voltada para o mundo, percebemos que há muito lixo “no sistema”. Mas também encontramos verdadeiras pérolas em termos de comunicação, e uma delas eu reproduzo neste texto escrito por um consultor chamado Eugenio Mussak, que tem muito a ver com Comunicação…

“Conheci certa vez uma empresa em que a diretoria estava muito feliz com o gerente do departamento que trazia os melhores resultados. Passado algum tempo, ao visitar a empresa, fiquei sabendo que ele havia sido demitido. Fiquei surpreso, mas depois entendi, pois o motivo não tinha a ver com os resultados financeiros. Nisso ele era bom. Já sua conduta ética… Houve um choque com os valores da organização. E para as empresas já não interessa mais apenas “resultado”, e sim “resultado sustentável”. É uma questão de sobrevivência de longo prazo.

Sustentabilidade significa que o sucesso de hoje não compromete o sucesso de amanhã. Atitudes antiéticas vão contra esse princípio. Para entender a posição dos líderes diante dessa realidade, podemos olhar o que acontece com alguns animais. Você já reparou que um cachorrinho quando leva uma bronca do dono costuma deitar de barriga para cima, o que gera uma imediata simpatia pelo danadinho? Ele faz isso porque reconhece a força de seu “oponente” e simplesmente não quer brigar, pede paz, se rende. Pois é, essa é mais uma herança do ancestral do cãozinho — o lobo.

Quando dois lobos disputam a liderança de uma matilha partem para o confronto físico até que um deles, derrotado, deita de costas no chão. É aí que reside a beleza dessa história: o outro lobo interrompe o ataque, deixando o vencido em paz, pois a intenção não é ferir ou matar o oponente, mas, apenas, vencê-lo na disputa pelo poder. Mas, veja só, se o lobo vencedor continuar a atacar o vencido, ele será rechaçado pelos demais, podendo até ser atacado pela matilha que iria liderar. Sem ter compaixão pelo vencido, ele demonstra fraqueza de caráter. Tem de mostrar respeito pelo vencido. Uau, ponto para os lobos!

Entre os humanos, demonstrações de caráter às vezes não são cobradas dos líderes, desde que eles entreguem resultados para a empresa. Se os números estiverem bons é porque a liderança está funcionando — dizem por aí. Esse raciocínio não está “errado”, pois mesmo os liderados se sentem bem quando os resultados são bons. Mas, cuidado. Ultimamente, “resultado” é diferente de “resultado a qualquer custo”, pois este não garante o “resultado sustentável”. Isso é importante porque a matilha, cedo ou tarde, vai se amotinar e negar a autoridade do tal líder sem caráter. Aí os resultados começarão a minguar.

Um líder de verdade carrega consigo um certo espírito de nobreza, capaz de angariar o respeito até dos adversários. Assim constrói a tal sustentabilidade. Se não for deste modo, vamos acabar dando razão ao empirista Thomas Hobbes, que disse que neste mundo estamos todos contra todos e que o verdadeiro lobo do homem é o próprio homem. Não precisa ser assim e, por ironia, podemos aprender com o próprio lobo!

Logos do Real e da Vale

Quarta-feira, Janeiro 9th, 2008

O Real não gostou

Dias atrás, a Companhia Vale do Rio Doce anunciou que estava mudando seu nome para Vale e que adotaria uma nova logomarca. O novo símbolo da Vale causou um certo estranhamento no Real. O pessoal de marketing do banco achou a logomarca da Vale muito parecida com a que o Real já usa. Veja as duas abaixo. Detalhe: segundo o banco Real, a empresa que desenvolveu as duas marcas foi a mesma, a Cauduro Martino.

real-e-vale.PNG

 

 

Crédito: Blog da Cristiane Correa - Portal Exame


Comentário geral:

Após ler todos os comentários, tive a certeza que Comunicação está praticamente igual ao Futebol… - todo mundo se acha no direito de opinar, muitas vezes, mesmo sem conhecimento algum.

Não vou entrar no mérito do que está certo ou errado, de quem tem razão ou não. Aprendizado tem custo, e conhecimento depende de algo mais que freqüentar uma instituição de ensino!

Parto do princípio que tudo que é passível de observação crítica do público alvo ou de uma instituição que se sente prejudicada, tem lá seus pontos negativos. Aprendi que em comunicação, aquilo que tem que ser explicado, que não é capaz de “dar o recado” de uma única vez e por si só, tende a ficar parecido com o Fracasso, pois só este precisa de justificativa, o Sucesso não precisa.

Para uma população de leigos e pseudo-profissionais que confundem Marketing com qualquer evento de comunicação, bastam duas cores semelhantes para causar polêmica. O pior é que ainda existem aqueles que precisam utilizar termos em inglês em suas explicações, talvez porque não conseguem sequer se comunicar com a imensa massa que é literalmente bombardeada com suas criações, às vezes inteligentes, às vezes sofríveis…

Pena que grandes empresas, pela incompetência dos responsáveis pela estratégia de comunicação, acabam entrando nessa onda, e valorizando alguns “malucos” que se auto intitulam como “mestres do abstrato”.

Marketing e a São Silvestre

Sábado, Janeiro 5th, 2008

Nesses tempos de mensalões e Renans, quem diria que até a Comunicação levada a efeito nos eventos relacionados ao esporte, também conhecido como, Marketing Esportivo, sofreria os reflexos da bandalheira.

Quero citar o fato feio, deprimente e de uma baixaria profissional sem precedentes que aconteceu na última competição do ano de 2007 no Brasil, prestigiada por empresas consagradas na mídia, por patrocinadores de grande porte e por atletas do mundo inteiro, a nossa Prova de São Silvestre.

Em 2007 os méritos ficaram para a dupla de quenianos Robert Cheruiyot e Alice Timbilili, vencedores masculino e feminino respectivamente. Infelizmente o representante brasileiro Franck Caldeira não teve como acompanhar o queniano e desistiu antes do final, ao contrário da goiana Marizete Rezende, que tentou até os últimos metros se aproximar da queniana.

Alguns comentários são necessários para que os leitores entendam minha indignação:

- parece que no Brasil qualquer colocação diferente do primeiro lugar não vale nada, e talvez esse seja o motivo do abandono do Franck Caldeira. O que eu me pergunto é porque um patrocinador investiria no esporte sem a certeza que sua marca e/ou seu produto sempre apareceria no lugar mais alto, exibido por um campeão? Ou será que eles pensam que os atletas são mais importantes que as empresas representadas e por isso não cobram a exposição na mídia?

- na minha carreira de Profissional de Comunicação trabalhei para uma instituição que investiu milhões de dólares em Marketing num curto espaço de tempo (2 anos), entre outras modalidades, em Marketing Esportivo e com uma concentração muito grande no futebol. Era responsável pelas iniciativas de comunicação em clubes como Corinthians Paulista, Vitória da Bahia, América de Minas Gerais e o Botafogo do Rio de Janeiro, portanto conheço o meio e sei do que estou falando.

- no futebol e de uma maneira marcante no Brasil, as coisas não são levadas a sério profissionalmente, apesar do volume de recusrsos que são gastos, o que é diferente de investidos. Fui testemunha de muita coisa que, apesar de não concordar, não pude interferir, pois o sistema é “maldoso” e tem muito dinheiro na mão de gente inescrupulosa, sem caráter e sem cultura. Mas isso todo mundo sabe.

Ocorre que a paixão pelo futebol entre os brasileiros, beira a algo doentio, que leva torcidas a agirem como verdadeiras ganges, atletas a atuarem as vezes como gladiadores romanos, e o que poucos percebem, é o fanatismo rondando as administrações amadoras dos clubes “profissionais” atuando nesse mesmo embalo de loucura e desorganização.

Muita gente fala e discute futebol, mas poucos sabem da realidade. Se fosse diferente, torcedores fanáticos pensariam duas vezes antes de comer arroz com ovo frito durante a semana para comprar ingresso e rojão pro jogo de domingo!

Vamos voltar para a São Silvestre de 2007.

Como o Franck Caldeira ganhou quase tudo em 2007, e talvez aí esteja o erro dos profissionais que deveriam orientar sua carreira, pois se ficou cansado no primeiro terço da prova, não deveria nem ter largado. Mas ele largou…

O Franck representa um clube de futebol mineiro, o Cruzeiro, e a rivalidade no futebol deu lugar a uma trama lastimável, premeditada ou mesmo de última hora, pois foram entregues 2 bandeiras do Atlético Mineiro para os campeões quenianos Cheruiyot e Timbilili quando os mesmos se dirigiam ao pódium, e lhes foi falado apenas que eram bandeiras de um clube de futebol brasileiro.

Inocentemente no ápice da comemoração, os dois pousaram com as bandeiras para toda a mídia presente.

Pior ainda foi o posicionamento covarde e esfarrapado dos envolvidos nesse lamentável epsódio logo após Cheruiyot dizer que não sabia de nada que aconteceu, que ninguém fez contato com ele, que ele não representava aquele clube e que também não ganhou nada com isso. Um representante do Atlético Mineiro afirmou que contratou o atleta através de um empresário brasileiro do queniano, que recebeu pelo contrato.

Gente, alguém nesse país acredita nisso, depois de tudo que estamos vendo acontecer em termos de corrupção, mentiras oficiais, roubo e desvio de dinheiro público, icones empresariais sendo desmascarados?

Cadê quem contratou o atleta?

Onde está esse tal empresário? Diga-se de passagem que eu duvido que o Cheruiyot tenha alguém representando-o no Brasil, porque se tiver deve ser algum político!

E a cópia desse famigerado contrato?

Será que não há profissinais competentes e criativos capazes de se envergonharem com tamanha falta de ética?E o que dizer do Marketing Esportivo?

Será que se resume a isso que assistimos em rede nacional?

Tenho certeza que alguns vão ler este blog e dizer que, ao contrário daquilo que eu acho, foi uma tacada de mestre, daquelas onde a oportunidade foi 100% aproveitada, e coisas assim…talvez questionem até o “arroz com ovo frito”….

Só posso adiantar que sinto pena dos que pensam assim.