Marketing e a São Silvestre

Nesses tempos de mensalões e Renans, quem diria que até a Comunicação levada a efeito nos eventos relacionados ao esporte, também conhecido como, Marketing Esportivo, sofreria os reflexos da bandalheira.

Quero citar o fato feio, deprimente e de uma baixaria profissional sem precedentes que aconteceu na última competição do ano de 2007 no Brasil, prestigiada por empresas consagradas na mídia, por patrocinadores de grande porte e por atletas do mundo inteiro, a nossa Prova de São Silvestre.

Em 2007 os méritos ficaram para a dupla de quenianos Robert Cheruiyot e Alice Timbilili, vencedores masculino e feminino respectivamente. Infelizmente o representante brasileiro Franck Caldeira não teve como acompanhar o queniano e desistiu antes do final, ao contrário da goiana Marizete Rezende, que tentou até os últimos metros se aproximar da queniana.

Alguns comentários são necessários para que os leitores entendam minha indignação:

- parece que no Brasil qualquer colocação diferente do primeiro lugar não vale nada, e talvez esse seja o motivo do abandono do Franck Caldeira. O que eu me pergunto é porque um patrocinador investiria no esporte sem a certeza que sua marca e/ou seu produto sempre apareceria no lugar mais alto, exibido por um campeão? Ou será que eles pensam que os atletas são mais importantes que as empresas representadas e por isso não cobram a exposição na mídia?

- na minha carreira de Profissional de Comunicação trabalhei para uma instituição que investiu milhões de dólares em Marketing num curto espaço de tempo (2 anos), entre outras modalidades, em Marketing Esportivo e com uma concentração muito grande no futebol. Era responsável pelas iniciativas de comunicação em clubes como Corinthians Paulista, Vitória da Bahia, América de Minas Gerais e o Botafogo do Rio de Janeiro, portanto conheço o meio e sei do que estou falando.

- no futebol e de uma maneira marcante no Brasil, as coisas não são levadas a sério profissionalmente, apesar do volume de recusrsos que são gastos, o que é diferente de investidos. Fui testemunha de muita coisa que, apesar de não concordar, não pude interferir, pois o sistema é “maldoso” e tem muito dinheiro na mão de gente inescrupulosa, sem caráter e sem cultura. Mas isso todo mundo sabe.

Ocorre que a paixão pelo futebol entre os brasileiros, beira a algo doentio, que leva torcidas a agirem como verdadeiras ganges, atletas a atuarem as vezes como gladiadores romanos, e o que poucos percebem, é o fanatismo rondando as administrações amadoras dos clubes “profissionais” atuando nesse mesmo embalo de loucura e desorganização.

Muita gente fala e discute futebol, mas poucos sabem da realidade. Se fosse diferente, torcedores fanáticos pensariam duas vezes antes de comer arroz com ovo frito durante a semana para comprar ingresso e rojão pro jogo de domingo!

Vamos voltar para a São Silvestre de 2007.

Como o Franck Caldeira ganhou quase tudo em 2007, e talvez aí esteja o erro dos profissionais que deveriam orientar sua carreira, pois se ficou cansado no primeiro terço da prova, não deveria nem ter largado. Mas ele largou…

O Franck representa um clube de futebol mineiro, o Cruzeiro, e a rivalidade no futebol deu lugar a uma trama lastimável, premeditada ou mesmo de última hora, pois foram entregues 2 bandeiras do Atlético Mineiro para os campeões quenianos Cheruiyot e Timbilili quando os mesmos se dirigiam ao pódium, e lhes foi falado apenas que eram bandeiras de um clube de futebol brasileiro.

Inocentemente no ápice da comemoração, os dois pousaram com as bandeiras para toda a mídia presente.

Pior ainda foi o posicionamento covarde e esfarrapado dos envolvidos nesse lamentável epsódio logo após Cheruiyot dizer que não sabia de nada que aconteceu, que ninguém fez contato com ele, que ele não representava aquele clube e que também não ganhou nada com isso. Um representante do Atlético Mineiro afirmou que contratou o atleta através de um empresário brasileiro do queniano, que recebeu pelo contrato.

Gente, alguém nesse país acredita nisso, depois de tudo que estamos vendo acontecer em termos de corrupção, mentiras oficiais, roubo e desvio de dinheiro público, icones empresariais sendo desmascarados?

Cadê quem contratou o atleta?

Onde está esse tal empresário? Diga-se de passagem que eu duvido que o Cheruiyot tenha alguém representando-o no Brasil, porque se tiver deve ser algum político!

E a cópia desse famigerado contrato?

Será que não há profissinais competentes e criativos capazes de se envergonharem com tamanha falta de ética?E o que dizer do Marketing Esportivo?

Será que se resume a isso que assistimos em rede nacional?

Tenho certeza que alguns vão ler este blog e dizer que, ao contrário daquilo que eu acho, foi uma tacada de mestre, daquelas onde a oportunidade foi 100% aproveitada, e coisas assim…talvez questionem até o “arroz com ovo frito”….

Só posso adiantar que sinto pena dos que pensam assim.

One Response to “Marketing e a São Silvestre”

  1. Luiz Edmundo Says:

    Marcos,

    Não é novidade esse tipo de estratégia, ode até ser no Marketign Esportivo (eu pelo menos acompanho futebol e nunca vi algo igual), mas lembro-me que há alguns anos uma marca de cerveja (não me lembro qual) colocou um dirigível logo atras do sambódromo do rio, de tal froma que era impossível filmar a apoteóse sem filmar a marca,e a patrocinadora oficial era outra…

    Tem tambem aquela propaganda da pepsi onde um garotinho pega 2 latas de coca numa vending-machine, coloca no chão e sobe em cima, para alcançar o botão da pepsi, o SubWay fez uma propaganda onde colocou dois caras, em cima de um telhado pedindo o lanche. Até ai tudo bem, mas os caras estavam com um Uniforme muito aprecido com o McDonalds e havia um letreiro (incompleto) amarelo que lembrava o M…

    De todos esses, o do Atletico acho “menos pior”, pois no fundo foi uma gozação em cima do adversário…

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